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Controle da Braquiária como invasora

  • Sementes
  • Publicado em 06/01/2012

CONTROLE DE BRAQUIÁRIA COMO INVASORA
 
INTRODUÇÃO
            O capim-braquiária é uma importante forrageira para muitas regiões do Brasil. Originária da África Tropical é uma gramínea perene, vigorosa, estolonífera e se adapta praticamente em quase todo tipo de solo e clima.
            A sua propagação é feita por sementes ou mudas (estolões). Por ser uma gramínea pouco exigente em fertilidade do solo e com intensa produção de sementes, a sua expansão para outras áreas se dá com muita facilidade. Quando ela invade outro terreno ou mesmo quando há necessidade de transformar a pastagem existente em outra cultura econômica, ela se torna uma invasora de difícil erradicação. A persistência da braquiária se deve ao grande estoque de sementes que ficam armazenadas o solo e à germinação irregular das sementes.
            Quando o capim-braquiária deixa de ser uma forrageira e se torna uma invasora em áreas de pastagens e culturas, os prejuízos são acentuados. Na cultura do milho, especialmente, na disputa pela luz solar, pela água e nutrientes do solo, as invasoras chegam a provocar quedas de 30 a 80 % da produção.
            Em pastagens de capim-elefante e de outras espécies de crescimento cespitoso, ela ocupa os espaços entre as touceiras e concorre com a forrageira principal, reduzindo a qualidade e a quantidade de forragem produzida. É também um grande problema na cultura da cana-de-açúcar, quando se desenvolve nas linhas de plantio ou entre as touceiras.
 
MÉTODOS DE CONTROLE
            Entre outros, os principais métodos de controle são: mecânico, químico e cultural.
            O método mecânico e realizado com a utilização de arados e grades. O terreno é arado para expor os estolões e raízes, responsáveis pela propagação vegetativa da planta a superfície do solo para serem desidratados (secos) pela ação da radiação solar e do vento, reduzindo o potencial de infestação. Esta operação deve ser feita em condições de baixa umidade do solo e em dias ensolarados. A eficiência desse método de controle depende do numero de operações e da época em que é realizado.
            O método químico, considerado o mais eficiente, é realizado com a utilização de herbicidas aplicados em pré-plantio incorporado (PPI), em pré-emergência (PRE) ou em pós-emergência (POS) das plantas invasoras.
            O controle das gramíneas anuas e perenes pode ser feito utilizando-se os herbicidas dalapom e glifosate, aplicados sobre as folhas das plantas invasoras. Outros herbicidas ativos no solo, como  atrazina, simazine, metribuzin e diuron, podem também ser utilizados.
            Os herbicidas pré-emergentes são aplicados no solo antes da emergência das plantas. Como exemplo temos o alachlor, ametrina, diuron, metolachor.
            Os herbicidas pós-emergentes são aplicados sobre as plantas invasoras já emergidas. Como exemplo temos a ametrina, azulam, bromacil, fluazifop-bitil, glifosate, haloxyfop, paraquat, setoxydim.
            As dosagens, época de aplicação, tipos e regulagens dos equipamentos são rigorosamente recomendados pelos fabricantes.
            O principal problema do método químico é a falta de herbicidas seletivos, uma vez, ao aplicá-los na área infestada com braquiária, estes atingem a forrageira, que deve ser preservada.
            Entre os tipos de controle cultural, o uso do fogo tem o objetivo de queimar os órgãos de propagação da planta, como estolões, raízes, hastes e sementes. As queimadas devem ser evitadas, uma vez que o fogo destrói a matéria orgânica e os microorganismos do solo, provocando grandes prejuízos e desequilíbrios ao meio ambiente. Entretanto, a queima, apesar de questionada, pode no caso das braquiárias, ser empregada como método de controle, desde que bem programada e tecnicamente utilizada.
            A queimada pode ser associada com os métodos químicos e mecânicos, quando no caso de uma gradagem, capina ou escarificação da área. O lavrador, com auxilio de ancinho ou enxada, entre outras, enleira ou amontoa as touceiras de capim, já murchas e secas, o que facilita a queima destes materiais.
            Além desses métodos, já existe outro desenvolvimento pela Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP – Campos de Botucatu – SP, em que o combate das plantas invasoras é feito com o uso de descarga elétrica. O equipamento, denominado Eletroherb é acoplado na tomada de força do trator, produzindo descarga elétrica por meio de um gerador. A corrente elétrica gerada percorre os vasos lenhosos das invasoras indo até o sistema radicular, queimando toda a planta. A grande vantagem desse método sobre os demais é a preservação ambiental proporcionada pele sistema.
            Quando se deseja a substituição da braquiária por outro capim, o ideal é usar o controle integrado: mecânico, químico e cultural. A sequência ideal seria fazer uma gradagem pesada após pastejo intenso da área ocupada com braquiária no final da seca (agosto/setembro), seguida de aração profunda e gradagem leve no início das chuvas. Logo em seguida, planta-se uma cultura anual, como milho, soja, arroz, feijão, durante dois a três anos. Usar herbicida no controle de sementes (pré-emergentes) e de plântulas (pós-emergentes iniciais).
            Esta sequência de atividades que envolvem a integração agricultura-pecuária, além de melhorar a eficiência do controle da invasora, proporciona custos globais mais baixos, principalmente pela vantagem do efeito residual dos fertilizantes utilizados nas culturas anuais.
 
            ISTRUÇÃO TÉCNICA PARA PRODUTOR DE LEITE
            Fonte: Embrapa Gado de Leite
            www.cnpgl.embrapa.br