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Controle da cigarrinha

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  • Publicado em 06/01/2012

CONTROLE DE CIGARRINHAS-DAS-PASTAGENS
             As cigarrinhas das pastagens têm causado grandes prejuízos à agricultura e à pecuária nacional, destruindo pastagens de braquiária, colonião e outras gramíneas forrageiras, bem como alguns cereais, como arroz, milho e sorgo. Devido ao hábito de sugar constantemente a seiva das plantas as ninfas das cigarrinhas empobrecem ou esgotam rapidamente a vegetação, causando desequilíbrio hídrico, que obriga as plantas a absorverem um maior volume de água do solo. Assim, grande parte das reservas de energia destinadas ao crescimento das plantas é consumida.
 
SINTOMAS NAS PLANTAS
            Assim como as ninfas (fase jovem do inseto), os adultos também sugam a seiva e ao mesmo tempo injetam uma toxina que bloqueia os vasos das plantas, que, após certo tempo, começam a amarelar, o que resulta na “queima” e na diminuição da capacidade de suporte da pastagem.
 
PERÍODO DE INFESTAÇÃO
            Os prejuízos começam a aparecer a partir de outubro-dezembro, coincidindo com o início das chuvas e aumento da temperatura e vão até março-abril, fim do período chuvoso. Neste caso, o rebanho fica sem alimento em pleno período das chuvas, podendo estender essa situação durante a estação seca, período crítico, quando é mais necessário o uso das pastagens. Nesta ocasião, os insetos podem ser observados no campo, tanto na forma de ninfas como adultos, sugando a seiva das plantas. As ninfas ficam protegidas por uma espuma branca, o que evita a desidratação delas.
 
SUGESTÃO PARA CONTROLE DA PRAGA
            Algumas práticas ou medidas podem e devem ser utilizadas para a redução dos danos no campo, como:
1)         Preservar e proteger algumas espécies de aves, pássaros e outros insetos que são              nossos aliados no controle biológico das cigarrinhas. Assim, galinha d’angola,           codornas, perdizes, anús e outros atuam como inimigos naturais. Também as            formigas, percevejos, aranhas etc., que são predadores de ovos, bactérias e             fungos, ajudar no combate à cigarrinha. Por isso, é necessário o estabelecimento ou faixas de vegetação nativa para abrindo e multiplicar os diversos inimigos         naturais da cigarrinha. Evitar também as queimadas, as caçadas predatórias e o          uso indiscriminado de inseticidas.
2)         Diversificar as pastagens com três ou mais tipos de capim resistente ou tolerante à cigarrinha, o que, associado a um manejo correto, evita o superpastejo, e fazer           adubações de manutenção, para o bom desempenho do pasto. Entre as gramíneas    conhecidas, recomendam-se as seguintes: andropógon, capim-gordura, Jaraguá,           braquiarão ou marandu, estrela africana, setária kazungula, coast-cross, capim-     buffel e as cultivares de capim-colonião (mombaça, Tanzânia, tobiatã,     centenário e vencedor). Além disso, é bom manter e explorar, por meio do           manejo correto, uma capineira e/ou canavial, para suplementar a alimentação        volumosa do rebanho, poupando as pastagens atacadas pela cigarrinha.
3)         Adotar um manejo adequado para cada tipo de capim, observando a altura de     pastejo. Para capim de hábito mais rasteiro, como algumas braquiárias, estrela        africana, coast-cross, e outros capins do gênero Cynodon, gordura etc., essa        altura pode ser de 25 a 30 cm. Para os capins entouceirados, de porte mais alto,  como colonião, andropógon, elefante etc., adotar a altura de 40-45 cm.
            Durante o ataque da praga (novembro a abril), pode-se deslocar os animais para os capins mais resistentes, como braquiarão, andropógon, mombaça, Tanzânia             etc. Nessa ocasião, os capins susceptíveis, como Brachiaria decumbens, devem          ser poupados do pastejo pesado.
4)         Fazer o controle químico, somente no ultimo caso, pulverizando apenas as            reboleiras ou locais mais atacados, usando produtos registrados para essa      finalidade, como o Fenitrothion e Carbaryl, seguindo rigorosamente as r      ecomendações do fabricante quanto a dosagens e carência.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
·         Como não podemos eliminar totalmente as cigarrinhas-das-pastagens, pelo menos podemos reduzir ao mínimo os prejuízos causados pela praga, mediante a adoção de tecnologias simples e racionais, recomendadas pela pesquisa, como manejo correto, práticas conservacionistas, correções e adubações do solo e, principalmente, a manutenção do equilíbrio biológico.
·         Sendo assim, o produtor terá aumentado a sua produção de leite e carne a um custo menor, pois a pastagem é a fonte mais barata de alimentos para o rebanho.
 
Embrapa (INSTRUÇÃO TÉCNICA PARA O PRODUTOR DE LEITE)

Fonte: www.cnpgl.embrapa.br