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Manejo de pastagem

  • Solo e Preparo
  • Publicado em 23/01/2012

O sistema de pastejo mais utilizado nas propriedades leiteiras da Zona Bragantina é o rotativo não-controlado, com longos períodos de ocupação, com três ou mais piquetes ou subdivisões. Apesar da preocupação dos produtores em melhorar a utilização dos recursos forrageiros, via manejo da pastagem, isso não ocorre, normalmente, na prática.

Além dos períodos de ocupação dos piquetes serem demasiadamente longos, não existe um controle da lotação, ocorrendo problemas de sub ou superpastejo. Essa inadequada utilização da pastagem pode provocar sua degradação, possibilitando a invasão de plantas indesejáveis, não-forrageiras, comprometendo a alimentação do rebanho (Hostiou et al. (2004).
 
Em levantamento das pastagens nas propriedades leiteiras da Microrregião de Castanhal, na Zona Bragantina, Bendahan (1999) verificou que a área de solo coberto pela pastagem variou de 45% a 84%, enquanto que a digestibilidade, o teor de proteína bruta e o de fósforo na forragem alcançaram apenas 75%, 38% e 26% das respectivas recomendações para as vacas leiteiras.
 
O grande objetivo do manejo de pastagem no sistema de produção leiteiro é permitir às vacas uma eficiente utilização de forragem da melhor qualidade, durante o ano inteiro, sem comprometer a sustentabilidade da pastagem. Dessa forma, o manejo da pastagem deverá permitir uma adequada colheita da forragem produzida por parte dos animais. Por exemplo, desde que a qualidade da dieta não seja comprometida, as práticas de pastejo que reduzem as sobras de forragem sobre o solo, ao final de um pastejo, deverão ser privilegiadas.
 
Fatores de manejo de pastagem
Pressão de pastejo (lotação animal)
O fator de manejo que mais afeta a persistência das pastagens é a pressão de pastejo, expressa na prática pela lotação animal. Visando lucros imediatos, muitos produtores utilizavam - sem o devido descanso e por longo tempo - lotações animais muito acima da capacidade de suporte das pastagens, chegando, em alguns casos, a 2-3 UA/ha1, sem a devida reposição de nutrientes ao solo, comprometendo a sua vida útil. A experiência regional de manejo de pastagem, em sistemas extensivos (sem reposição de nutrientes do solo via adubação), recomenda se ajustar a carga animal à disponibilidade de forragem, o que leva, após o devido tempo de ajuste, a uma lotação de 0,75 a 1,5 UA/ha. Em sistemas intensivos (com reposição de nutrientes do solo via adubação), é possível alcançar lotações bem mais altas, 2 a 3 UA/ha, ou mesmo maiores, dependendo do nível de aplicação de insumos.
 
Freqüência de pastejo (sistema de pastejo)
Outro fator de manejo de pastagem, que nas condições regionais pode ser de considerável importância, é a freqüência de pastejo. No passado, esse fator era pouco considerado, tanto que o sistema de pastejo predominante era parecido com o contínuo (sem descanso e sem rotação de pastagem), com pouca divisão de pastagem. Mesmo sob uma lotação animal razoável, periodicamente, as pastagens tropicais, principalmente aquelas formadas por gramíneas de hábito ereto ou entoiceirado, necessitam descansar do pastejo animal. O descanso da pastagem permitirá a restauração do seu índice de área foliar e do seu sistema radicular, possibilitando maior cobertura do solo e competitividade com as plantas daninhas. Maior eficiência desse processo pode ser alcançada, quando o controle das plantas daninhas é feito no início do descanso da pastagem.
 
A freqüência de pastejo se expressa pelo sistema de pastejo. No pastejo contínuo, a pastagem não tem descanso, ou seja, o tempo de descanso é zero, e por isso, não requer subdivisão da pastagem. No pastejo rotativo, o número
 
UA1 = Animal de 450 kg.
de subdivisão ou de piquete da pastagem (2, 3, 4, 5, 6 ... n) e o tempo de pastejo ou permanência dos animais em cada piquete, determinam o descanso da pastagem.
 
Interação pressão de pastejo versus freqüência de pastejo
Os fatores pressão de pastejo e freqüência de pastejo não atuam isolados, sendo a sua interação muito importante. Mesmo considerando as características intrínsecas de cada forrageira, as respostas das pastagens à variação desses fatores seguem mais ou menos um mesmo padrão. Nas pastagens tropicais, há um consenso entre os estudiosos de que o fator que mais afeta a produtividade animal é a pressão de pastejo, ou seja, maior parte da variabilidade na produção animal de uma pastagem é explicada pela variação da pressão de pastejo do que pelo sistema de pastejo.
 
A experiência e as pesquisas regionais possibilitam estabelecer padrões de manejo de pastagem para aumentar a produtividade e a sustentabilidade da pastagem e, por conseguinte, a produção animal. Na Tabela 1, é encontrado o padrão da resposta das pastagens, manejadas extensivamente, à pressão de pastejo (lotação animal) nas condições regionais.
 
 
 

Tabela 1. Padrão de resposta das pastagens, manejadas extensivamente, à pressão de pastejo (carga animal) nas condições regionais.

Lotação Animal (UA* /ha )

Resposta da pastagem

Reflexo na produção animal

Baixa (<0,75)

Acúmulo de forragem de baixa qualidade,porém os animais podem selecionar.
Maior persistência da pastagem e maior concorrência com as plantas daninhas

A produção por animal é alta, porém aprodução por hectare é baixa

Média (0,75 a 1,25 )

Situação Intermediária

Situação Intermediárias

Alta (>1,25)

A quantidade de forragem embora de boa qualidade tende a diminuir

A produção por hectare é baixa, porém a produção por hectare é alta.
A partir de certo nível de lotação, a produção por animal e por hectare são baixas

 

 

 

*UA = Equivalente a um animal de 450kg de peso vivo.
Fonte: Veiga e Tourrand (2001)


Igualmente, o desempenho das pastagens, em virtude da freqüência de pastejo (sistema de pastejo), em condições regionais, é sintetizado na Tabela 2.

 

Tabela 2. Desempenho de pastagens regionais em virtude da freqüência de pastejo (sistema de pastejo).

Frequência ou sistema de pastejo

Definição

Indicação

Investimento

Produção

Por 
Animal

Por
Hectare

Continuo

O gado fica mais de 30 dias numa mesma pastagem

Sistemas extensivos (pastagens de baixa produtividade ou nativas, baixa lotação animal) 

baixo (em cercas)

Média /alta

Média / baixa

Rotativo menos intensivo

Pastagens com no máximo quatro sub-divisões.
O gado fica numa sub-divisão por 7 a 30 dias, enquanto as outras descansam

Sistemas menos intensivos (pastagem recém e bem fornada, média lotação animal).

Médio (em cercas)

Média

Média

Rotativo mais intensivo

Pastagens com mais de quatro sub-divisões.
O gado fica numa sub-divisão por 1 a 7 dias, enquanto as outras descansam

Sistemas intensivos (pastagem de alta produção e qualidade, solos adubados, alta lotação animal).

Alto (em cercas e adubos)

Média /baixa

Média /alta

Fonte: Veiga & Tourrand (2001)

 

A pressão de pastejo (lotação animal) pode ser mais facilmente manipulada que o sistema de pastejo. Enquanto que para alterar a lotação, apenas é necessário se adicionar ou retirar animais da pastagem. Para passar de um sistema de pastejo contínuo para um rotativo, são necessários investimentos em cercas, bebedouros e cochos de sal, assim como maior gasto com mão-de-obra na sua condução.

Apesar de já ter sido estabelecido o padrão de resposta das pastagens aos fatores de manejo de pastagem, ainda se ressente de informações específicas às espécies forrageiras e à estação do ano. Na falta de pesquisa mais conclusiva, algumas informações práticas são apresentadas na Tabela 3.

 

Tabela 3. Altura da pastagem e fator tempo no manejo de algumas pastagens regionais.

Espécies forrageiras / hábito de crescimento

Altura da pastagem em pastejo contínuo (cm)

Tempo em pastejo rotativo (dias)

De descanso

De pastejo

Máxima*

Mínimia**

Inverno***

Verão****

Quicuio (decumbente)

35-45

15-20

28-35 35-42 1-15

Branquiarão (semi-decumbente)

45-50

25-30

Colonião e outras espécies do gêneroPanicum (erecto, entoicerado)

60-80

30-40

         

*Acima da qual a lotação deve ser aumentada. **Abaixo da qual a lotação deve ser reduzida. *** Período mais chuvoso. ****Período menos chuvoso ou seco
Fonte: Veiga & Tourrand (2001).

 

 

 

Introdução

Um dos principais problemas dos sistemas de produção leiteira da Zona Bragantina, como em toda a Região Amazônica, é a falta de persistência das pastagens, que normalmente culmina com a sua degradação. É considerada degradada uma pastagem cuja maior parte foi tomada por plantas invasoras ou constitui-se solo descoberto. Entre as causas dessa degradação, o manejo inadequado da pastagem é um dos mais notados. Outro importante problema, que também depende do manejo de pastagem, é o baixo valor nutritivo da forragem consumida pelos animais.

O sistema de pastejo mais utilizado nas propriedades leiteiras da Zona Bragantina é o rotativo não-controlado, com longos períodos de ocupação, com três ou mais piquetes ou subdivisões. Apesar da preocupa&c